sábado, 28 de novembro de 2009

Eu era apaixonado por aqueles pezinhos. Tão macios, tão delicados. Os dedos eram redondinhos e as unhas bem tratadas. E eu, pobre refém de tamanha beleza, não conseguia parar de fitá-los, desejá-los e acariciá-los.
Quem não gostava muito dessa última parte era Silvia, que sempre repetia enquanto eu tinha um ataque-de-loucura-pelos-seus-pés:
- Que saco! Você não desgruda do meu pé, Matheus! – respirava com certo ar de superioridade e continuava – Literalmente!
Eu e Silvia éramos casados há cinco anos e, embora minha paixão por seus belos pés continuasse viva, nosso casamento não ia lá essas coisas. Silvia tornara-se chata com o passar do tempo.
Lembro-me como ontem do dia em que a conheci. Ela era jovem, bem-humorada, divertida e desenvolta. Putz, como eu admirava a desenvoltura nas mulheres! Mal nos conhecemos e a afinidade já acontecera. Namoramos dois anos e quatro meses, e casamos sem nem ao menos noivar antes. Não queríamos esperar.
O primeiro ano do nosso casamento foi maravilhoso. Vivíamos numa constante lua-de-mel: sem brigas, apenas o desejo predominava. Foi nessa época que desenvolvi essa minha paixão pelos pés de Silvia.
Quando fazíamos amor, seus pés se misturavam aos meus de tal modo que um sentimento enorme de bem querer invadia-me o corpo, e eu só pensava no quanto amava aquela mulher. Bons tempos..
A partir do terceiro ano de casamento as coisas esfriaram. O trabalho me consumia. Silvia mal parava em casa e tudo era motivo de desconfiança.
Hoje, temos cinco anos de casados e já passamos por diversas crises. Silvia trabalha feito condenada e, mesmo com seu esforço, ainda não conseguiu a promoção que tanta almeja. Isso a deixa profundamente amargurada e ela termina descontando as frustrações no nosso casamento. Há dias em que eu tenho que me segurar para não mandá-la pro inferno, fazer minhas malas e dar no pé.
Aquela menina alegre e cheia de sonhos deu lugar a uma mulher fria e amarga. Incrível como o tempo transforma as pessoas. A única coisa que permanece igual são seus pés. Lindos.
E, por mais que as circunstâncias me mostrem o contrário, eu ainda insisto em acreditar que a dona daqueles pezinhos é a mulher por quem eu me apaixonei um dia.
Olho pra eles e sei que não estou enganado..





Perdoem-me pela ausência. Tentarei ser mais organizada e atualizar este blog com mais frequência. (Olha só, até rimou..)
Sobre o texto, acordei no meio da noite para escrevê-lo. Às vezes, acho que sou louca. Às vezes, tenho certeza!

Até a próxima!

2 comentários:

Luminosidade. disse...

ahhh, adoro inspirações noturnas!
ehuheeuhehueh...


e que bom que o cara-cujo-nome-não-é-mencionado ainda alimenta uma esperança por Silvia.

ah, o amor.


beijos, querridá.

Fábio Esteves disse...

Ih, olha lá! Podolatria, bacana isso :)!

Gostei do texto, gostei mesmo...

Beijo