Eu não queria assustar ninguém com minhas loucuras, juro. Mas, de uns tempos pra cá, tenho agido menos, observado mais, e consequentemente, colocado tico e teco em situações nada favoráveis. Venho tentando entender algumas coisas, buscando as razões de tantas outras, enfim, complicando minha vida.
Os seres humanos são estranhos, e não é à toa que milhões de estudiosos elaboram teses e mais teses sobre o comportamento de nós, ilustres figuras bizarras que habitam o bom e velho planeta terra.
Eu parei pra pensar e cheguei à conclusão de que, se não estou louca, estou perto.
“Só é possível conhecer, seja o que for, quando se está distante”. Ouvi isso na aula de autopoiésis, ministrada pelo querido professor Gusmão. A princípio, eu não entendi muito bem, mas agora faz todo o sentido. Explicarei: Segundo a teoria da autopoisésis (Niklas Luhmann), não é possível conhecer nada como de fato é. Primeiro, porque as coisas que vemos e conhecemos são “cortes” feitos pelos nossos sentidos, tipo olho, ouvido, etc. Sem contar que, querendo ou não, o que a gente observa é absorvido por nós de uma maneira, e essa maneira pode ser diferente em outrem.
Segundo, quando estamos próximos ao que desejamos conhecer, não conseguimos fazê-lo, seja por envolvimento, seja por fazer parte do mesmo contexto e não conseguir analisar de forma distante. Ou seja, o ser humano nunca vai conseguir de fato decifrar os seres humanos, uma vez que está inserido na bagaceira.
Isso tá uma loucura né? Mas vou dar um exemplo básico: Quantas vezes nos relacionamos com pessoas, sejam amizades ou paixões, e não enxergamos coisas óbvias, que posteriormente, após certo afastamento, passamos a enxergar? Quantas vezes não pronunciamos a velha, e sempre clichê, frase: “Convivi tanto tempo e agora vejo que não conhecia essa pessoa!”.
Outra coisa que aprendi é que, para nós, o outro nunca será o que realmente é. O outro é, na verdade, aquilo que enxergamos nele. Nunca conheceremos o outro 100%, e nunca conseguiremos entender. Seja pro bem, seja pro mal. Não importa a convivência ou proximidade, nunca o outro será para nós o que ele é.
Convenhamos, nem nós mesmos nos conhecemos por completo, avalie as outras pessoas. Pois, do mesmo jeito que o que somos, e o que pensamos é externado pela fala, pela escrita, pelos gestos, o do outro também é. Ou seja, não é o que na verdade é, é transformado e codificado para ser externado.
Ah, e também não acredito na reciprocidade. Acho que isso não existe. Podem haver sentimentos fortes e verdadeiros, nunca duvide disso, mas nunca serão iguais. Você pode ter um amigo que você gosta muito, e ele, idem. Mas nunca será a mesma coisa, pois você enxerga, absorve e externa as coisas de um jeito, e ele, de outro. Os sentimentos não podem ser medidos de forma que se equiparem exatamente. Nunca é igual.
Sou louca. Sempre soube. Reciprocidade não existe e Jamanta não morreu.
Até a próxima!